272-DESEJO RECALCADO – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas
AGRESSIVIDADE HUMANA

272-DESEJO RECALCADO

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É um paradoxo, pois enquanto a repressão é vista como restritiva, ela também é crucial para estruturar e direcionar o desejo humano. Essa dualidade torna-se evidente quando examinamos conceitos como “bem-estar”, “bem-viver” e “bem-do-eu”.

DESEJO RECALCADO
DESEJO RECALCADO


Repressão e Desejo
(desejo recalcado)


Desde os primórdios da civilização, a repressão foi uma ferramenta necessária para manter a ordem e coesão social. Contudo, é no entrelaço com o desejo que se percebe a verdadeira complexidade do ser humano. Ao falar da repressão, inevitavelmente entramos no vasto campo da psicanálise” data-wpil-keyword-link=”linked”>psicanálise, onde Freud introduz uma visão revolucionária da natureza humana.

A Repressão no Contexto Social e Político


A repressão manifesta-se nas diversas esferas da sociedade, desde o controle familiar até políticas públicas mais amplas. Observando o contexto brasileiro durante a pandemia, por exemplo, observa-se uma repressão, muitas vezes exacerbada, de direitos fundamentais. O que coloca em questão: até onde a repressão é necessária para o bem-estar coletivo e quando ela passa a ser uma violação dos direitos individuais?

A Repressão e a Estruturação do Desejo Humano


A “consciência moral”, ou “pauta comportamental”, como descrito, funciona como um regulador do comportamento humano. É um paradoxo, pois enquanto a repressão é vista como restritiva, ela também é crucial para estruturar e direcionar o desejo humano. Essa dualidade torna-se evidente quando examinamos conceitos como “bem-estar”, “bem-viver” e “bem-do-eu”.

O Desejo Recalcado e a Pulsão de Vida/Morte


A psicanálise, especialmente a teoria freudiana, postula que os desejos humanos, quando reprimidos, não desaparecem, mas são recalcados. Estes desejos recalcados, sejam eles afetivos ou de outra natureza, constituem a “pulsão de vida/morte”, influenciando nossos comportamentos e emoções de maneiras muitas vezes não compreendidas. A superação desses desejos recalcados é uma jornada individual, moldada por circunstâncias socioculturais e experiências pessoais.

A Inerente Agressividade Humana


Conforme expresso por FRIEDL e VILHENA, a violência e a agressividade são inerentes à natureza humana. Desde a aurora da existência, o homem tem lutado contra as forças da natureza e, crucialmente, contra sua própria natureza violenta. Controlar essa agressividade foi, e continua sendo, fundamental para a sobrevivência e prosperidade da espécie humana.

Diálogo Terapêutico: Uma Janela para o Entendimento


Por fim, é vital reconhecer a repressão não apenas como uma barreira, mas também como uma possível aliada no entendimento do ser humano. Através do diálogo construtivo, e especialmente do diálogo terapêutico, podemos desvendar os meandros da repressão e do desejo, permitindo uma maior compreensão de nós mesmos e dos outros.


A dança entre repressão e desejo é intrínseca à condição humana. Ao tentarmos compreender sua interação, não apenas ganhamos insights sobre nossa natureza, mas também abrimos caminho para uma convivência mais harmoniosa e empática. Em uma era de rápidas mudanças e desafios crescentes, tal compreensão é mais crucial do que nunca.


A Subjetividade na Era Moderna
(desejo recalcado)


No atual panorama, onde a subjetividade é muitas vezes marginalizada, é essencial explorar o intricado relacionamento entre repressão e desejo. Este artigo delinea as facetas desse relacionamento, destacando a complexidade dos conflitos interiores e a necessidade de uma reconstrução ética.

A Subjetividade Sob Ameaça


A progressão da civilização tem imposto desafios significativos à autenticidade da subjetividade. Grupos hegemônicos, ao determinarem o caminho “correto” para o bem-estar social, inadvertidamente colocam em risco o espaço para expressão individual, levando a uma forma de “suicídio coletivo” da experiência vivida.

Bem-Estar Social: Uma Ilusão Capitalista?


Hoje, o “bem-estar social” tornou-se uma ferramenta capitalista, muitas vezes promovida por uma minoria que beneficia desproporcionalmente em detrimento da maioria. Esta construção sociocultural cria um ambiente onde a repressão é mascarada sob o véu do progresso, levando a conflitos intrínsecos que a psicanálise busca decifrar.

O Direito de Escolha e a Pauta Comportamental


A liberdade de escolher, seja uma causa ou uma identidade, é vital para a saúde mental e emocional. Quando essa liberdade é comprometida, surge sofrimento. A “pauta comportamental” e a “consciência moral” influenciam profundamente nossas decisões, sendo essenciais para compreender as ações e os sentimentos humanos.

Moral vs. Ética: Reconstruindo Conceitos


Enquanto a moral aborda as regras impostas pelo grupo social, a ética é a reflexão sobre essas regras. Na busca por um “bem-viver”, é essencial optar por uma ética que encoraje novos entendimentos e aprofunde o significado de coexistir. Em uma sociedade repleta de preconceitos e ódio, essa revisão ética é mais necessária do que nunca.

Psicanálise: Do Inconsciente à Consciência Moral


Com Freud, entende-se que o inconsciente desempenha um papel vital em nossas decisões, sugerindo que nossos desejos e pulsões são muitas vezes ocultos da consciência moral. No entanto, em vez de buscar o “bem-viver”, a psicanálise explora os desejos e atos inconscientes, destacando a necessidade de sociedades mais compreensivas que valorizem a subjetividade.


A era moderna, com seus desafios e dilemas, exige uma profunda introspecção sobre a natureza da repressão, desejo e ética. Para navegar nesses tempos tumultuados, é crucial redefinir e recontextualizar nossas concepções de subjetividade e bem-estar, abrindo caminho para sociedades mais inclusivas e compreensivas.

A Busca da Fruição da Vida (desejo recalcado)


A natureza humana é uma tapeçaria intrincada de desejos, emoções e traumas, moldada por histórias pessoais e coletivas. Este artigo explora a relação entre repressão e desejo na trajetória humana, em direção à “fruição da vida”.

Prazer versus Felicidade Imaginada


Embora muitos busquem incessantemente o prazer, é crucial distinguir essa busca do anseio pela “felicidade imaginada”. Enquanto o prazer está ligado a estímulos e satisfações momentâneas, a ideia de felicidade imaginada é uma construção mais profunda, muitas vezes idealizada e inalcançável.

O Inconsciente e o Fluxo Vital


Nossas ações são, muitas vezes, direcionadas por motivações inconscientes. Segundo Freud, o ser humano é impulsionado pelo desejo de prazer e pela aversão ao desprazer, buscando um propósito ou significado para a vida. Este fluxo vital molda a trajetória de cada indivíduo e os contornos da humanidade.

Freud, Dor e Catarse


Para Freud, a compreensão da humanidade não é possível sem reconhecer a dor e a angústia. O divã, na psicanálise, torna-se um refúgio terapêutico, proporcionando um espaço para a catarse e o acolhimento do sofrimento. Através dessa abordagem, os indivíduos podem começar a compreender e processar suas dores mais profundas.

Religiosidade e Sofrimento (desejo recalcado)


A narrativa religiosa, especialmente no cristianismo, vê o sofrimento como intrínseco à experiência humana. Desde a noção do “pecado original” até a imagem do Cristo crucificado, o sofrimento é visto não apenas como um fardo, mas como um caminho para a transcendência. Ao enfrentar conscientemente a dor, o crente pode alcançar um estado elevado de espiritualidade e compreensão.

Repressão, Desejo e Cultura


A teoria freudiana propõe que, após a internalização do “princípio da realidade”, os desejos humanos são frequentemente negociados e adiados, sinalizando uma transição da impulsividade instintiva para a regulação cultural. No entanto, Lacan argumenta que ceder ao desejo não necessariamente leva à felicidade. A busca de cada indivíduo pela felicidade pode, portanto, ser uma jornada eterna e inexplorada.


O legado de Freud e a compreensão psicanalítica da repressão e do desejo nos oferecem insights valiosos sobre a natureza humana. Somos seres em constante evolução, moldados por nossas histórias e conflitos internos. A compreensão e aceitação desses aspectos, em sua complexidade, são cruciais para avançar em direção a uma vida mais plena e significativa.

CONCLUSÃO (desejo recalcado)

Embora muitos busquem incessantemente o prazer, é crucial distinguir essa busca do anseio pela “felicidade imaginada”. Enquanto o prazer está ligado a estímulos e satisfações momentâneas, a ideia de felicidade imaginada é uma construção mais profunda, muitas vezes idealizada e inalcançável.

João Barros

Floripa, 19.08.23

    REFERÊNCIAS BÁSICAS

    1. “O Mal-estar na Civilização” de Sigmund Freud
      Resenha: Neste trabalho seminal, Freud explora as tensões entre os desejos individuais e as demandas da sociedade civilizada. O autor argumenta que a cultura exige repressão dos impulsos básicos do ser humano, levando ao mal-estar persistente. O livro é uma profunda reflexão sobre os custos psicológicos da vida em sociedade.
    2. “O Teatro da Repressão” de Jurandir Freire Costa
      Resenha: Jurandir Freire Costa analisa, sob uma perspectiva psicanalítica e sociológica, como certas repressões, especialmente aquelas relacionadas à sexualidade, são construídas e mantidas na sociedade brasileira. Ao explorar o impacto do catolicismo, do machismo e de outras forças culturais, Costa apresenta um panorama da repressão no Brasil e suas consequências para a subjetividade dos indivíduos.
    3. “O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise” de Jacques Lacan
      Resenha: Nesta obra, Lacan aborda quatro conceitos centrais da psicanálise: o inconsciente, a repetição, o desejo e a transferência. O livro é crucial para entender a perspectiva lacaniana do desejo e sua distinção em relação à visão freudiana. A complexidade e profundidade do pensamento de Lacan são apresentadas de forma vívida e provocativa.
    4. “História da Sexualidade I: A Vontade de Saber” de Michel Foucault
      Resenha: Foucault examina a evolução do conceito de sexualidade na cultura ocidental, argumentando que a sexualidade tornou-se uma forma de poder e controle social. Ao invés de ser reprimida, a sexualidade foi, na verdade, colocada em discurso, tornando-se uma forma de controle e definição da identidade individual. Esta obra desafia muitas noções tradicionais de repressão e desejo.
    5. “Ética e Psicanálise: Freud e Lacan” de Durval Marcondes
      Resenha: Durval Marcondes explora a relação entre ética e psicanálise, centrando-se nas teorias de Freud e Lacan. Ele discute a ideia de que a psicanálise, ao invés de estabelecer uma moral tradicional, propõe uma ética baseada no desejo e na verdade do sujeito. O livro serve como um ponto de partida para entender as complexas interseções entre moral, ética e desejo na psicanálise.

    Qual é a diferença entre o conceito de desejo em Freud e Lacan?

    Resposta: Em Freud, o desejo está firmemente ancorado nas pulsões e necessidades biológicas do indivíduo, sendo muitas vezes mediado pelo “princípio do prazer”, que busca a satisfação imediata e evita o desprazer. Para Lacan, o desejo é mais estruturado pela linguagem e pelo simbólico, estando ligado ao Outro e ao que é inalcançável. O desejo lacaniano não busca satisfação, mas sim reconhecimento e é constantemente deslocado.

    Como o “desejo recalcado” funciona no contexto da civilização, de acordo com Freud?

    Resposta: Em Freud, o “desejo recalcado” está firmemente ancorado nas pulsões e necessidades biológicas do indivíduo, sendo muitas vezes mediado pelo “princípio do prazer”, que busca a satisfação imediata e evita o desprazer. Para Lacan, o desejo é mais estruturado pela linguagem e pelo simbólico, estando ligado ao Outro e ao que é inalcançável. O desejo lacaniano não busca satisfação, mas sim reconhecimento e é constantemente deslocado.

    De que forma a visão cristã do sofrimento se relaciona com a abordagem psicanalítica do sofrimento humano?

    Resposta: A visão cristã do sofrimento frequentemente o vê como uma condição inerente à natureza humana, muitas vezes ligada ao conceito de pecado original. No entanto, esse sofrimento pode ter um propósito redentor, levando à salvação e à transcendência. Por outro lado, a psicanálise vê o sofrimento como resultante da tensão entre os desejos inconscientes do indivíduo e as demandas da realidade. Enquanto a visão cristã oferece uma solução espiritual, a psicanálise busca aliviar o sofrimento através da compreensão e da integração do inconsciente.

    Como a ética se relaciona com a prática da psicanálise?

    Resposta: A psicanálise, em sua essência, não está interessada em prescrever um conjunto de valores morais. No entanto, possui uma ética intrínseca que gira em torno da verdade do sujeito. Isso significa que a ética psicanalítica está centrada na busca pela verdade do desejo do paciente, ajudando-o a reconhecer e integrar aspectos reprimidos de si mesmo. Esse reconhecimento pode levar a uma forma mais autêntica e livre de viver.

    Como a cultura moderna influencia a percepção e a realização do desejo?

    Resposta: A cultura moderna, especialmente em contextos capitalistas, muitas vezes molda e direciona o desejo através de mensagens midiáticas, estímulos consumistas e ideais socialmente construídos. O desejo, que outrora poderia ter sido influenciado primariamente por necessidades básicas e relações interpessoais, agora é frequentemente mediado por imagens, marcas e conceitos de sucesso e felicidade perpetuados pela sociedade. Isso pode levar a um constante sentimento de insatisfação, pois os desejos inflados pela cultura podem ser inatingíveis ou vazios.



    João Barros - empresário/escritor - professor com formação em filosofia/pedagogia, teologia/psicanálise (...) atualmente, diretor pedagógico na empresa SELO BE IBRATH - com foco na supervisão e qualificação dos produtos pedagógicos e cursos livres em saúde, qualidade de vida e bem-estar. Quanto às crenças e valores, vale a máxima: o caráter do profissional em saúde - isto é - dos psicanalistas/terapeutas - determina sua missão. "Mens sana in corpore sano".

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