265-RESSIGNIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas
AGRESSIVIDADE HUMANA

265-RESSIGNIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA

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   No entanto, esta busca nem sempre é clara ou fácil. As encruzilhadas da vida muitas vezes nos colocam diante de dilemas que nos fazem ponderar entre o conforto do conhecido e o risco do desconhecido.

LUTO
RESSIGNIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA

Resumo - Conteúdo

INTRODUÇÃO

A natureza humana é impulsionada pelo “princípio do prazer”

Luto e o princípio do prazer

A natureza humana é impulsionada pelo “princípio do prazer”, onde buscamos a satisfação e tentamos evitar a dor. No entanto, esta busca nem sempre é clara ou fácil. As encruzilhadas da vida muitas vezes nos colocam diante de dilemas que nos fazem ponderar entre o conforto do conhecido e o risco do desconhecido.

Como mencionado, “se o mar não tivesse coragem de na praia morrer, o espetáculo das ondas não iria acontecer”, é uma metáfora poderosa que nos lembra que a coragem de enfrentar o desconhecido pode resultar em algo belo e transformador.

A caminhada existencial e os atalhos afetivos

A jornada da vida é cheia de desvios e atalhos. Esses atalhos, muitas vezes imprevistos, podem nos levar a “oásis-olfativos/afetivos” que nos presenteiam com experiências inesquecíveis. É nesse caminho que desenvolvemos nossas atitudes e fortalecemos nosso propósito de vida. O verdadeiro significado da jornada é descobrir e aproveitar esses momentos de descoberta e conexão.

A dialética do encontro e desencontro

A vida é um constante balanço entre momentos de alegria e tristeza, entre encontros e desencontros. Ambos são essenciais para nossa evolução e autodescoberta. Eles servem como lembretes da impermanência da existência e da necessidade constante de adaptação e resiliência.

O desejo, a razão e a moral

O ser humano é movido não apenas pelo que deseja, mas também pelo que lhe falta. Esse “desejo-desequilibrante/cadente” muitas vezes nos leva a agir de maneira irracional ou contra nossos princípios morais. A psicanálise” data-wpil-keyword-link=”linked”>psicanálise nos ajuda a entender esses impulsos e a maneira como eles influenciam nosso comportamento. Transformar o desconhecido em algo nomeado e compreendido é uma forma de lidar com as incertezas e ansiedades da vida.

A ausência como motor de busca

A ausência é uma poderosa força motivadora. Seja a ausência de algo que desejamos ou a perda de algo que já possuímos, ela nos lembra da impermanência da vida. Esta “ausência-presente” serve como um lembrete constante de nossa busca por significado e conexão. Ela molda nossas ações, nossas atitudes e, finalmente, nossa jornada existencial.

A vida é uma jornada cheia de incertezas, desvios e descobertas. Cada passo, seja em direção ao prazer ou longe da dor, nos ensina algo sobre nós mesmos e sobre o mundo ao nosso redor. A psicanálise, juntamente com outras disciplinas, nos ajuda a entender e navegar por este caminho, transformando a ausência, o luto e a memória em fontes de força e inspiração. Seja corajoso, abra as cortinas da mente e embarque nessa jornada de autodescoberta

A Morte, o Luto e a Ressignificação da Existência

Morte e retorno à inorganicidade

A morte é o sinal definitivo dos limites humanos. Ao apontar para o nosso fim, evoca a fragilidade da existência. Tal ideia ecoa no pensamento religioso, como no versículo do Gênesis: “Tu és pó e ao pó da terra retornarás”. Isso nos lembra de nossa origem e destino, estando, de certa forma, sempre à beira do retorno à inorganicidade.

A experiência subjetiva da perda

A perda não se trata apenas de um conceito externo, mas mergulha nas profundezas do nosso ser, moldando nossas experiências e visões de mundo. Fernando Pessoa poeticamente descreve a impermanência e a necessidade de encontrar significado nas coisas simples da vida: “Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas”. A verdadeira experiência de perda envolve um profundo mergulho no que realmente nos é essencial.

O luto e a ressignificação

O luto é uma jornada de reconhecimento e aceitação da perda. É um processo doloroso, mas também é uma oportunidade para ressignificar a vida. Aquilo que perdemos – seja um ente querido ou uma parte de nós – nunca retorna da mesma forma. No entanto, é na memória e na transformação do sofrimento que encontramos novos significados para seguir adiante. Como Freud apontou, a beleza da existência e da arte não pode simplesmente desaparecer no nada; deve haver uma continuação, uma ressignificação.

Transitoriedade e permanência

A vida é marcada por momentos transitórios, por ganhos e perdas. No entanto, há também um elemento de permanência. Enquanto a transitoriedade nos lembra de nossa mortalidade, a permanência aponta para a imortalidade, seja em memórias, legados ou crenças espirituais. A questão central aqui é: como equilibrar essas duas perspectivas? Como encontrar significado em uma vida que é, por natureza, efêmera?

A “lâmpada freudiana/lacaniana” e a escolha pela vida

Para a psicanálise, a libido (ou energia vital) é um componente central da experiência humana. Freud e Lacan, cada um à sua maneira, exploraram a complexidade da mente humana e como ela é influenciada por desejos, traumas e repressões. O “Ego”, nesse contexto, pode ser visto como um mediador entre o mundo interno e externo. No entanto, é crucial lembrar que a vida é um espetáculo de altos e baixos, como as ondas do mar. Devemos, portanto, nos jogar na corrente da existência, buscando causas que deem significado à nossa trajetória.

A morte e o luto são realidades inescapáveis. No entanto, a maneira como lidamos com esses conceitos pode moldar e enriquecer nossas vidas. Através da ressignificação, da introspecção e da aceitação, podemos encontrar propósito e significado mesmo nas situações mais difíceis. A vida, com todos os seus desafios, é um espetáculo a ser vivido plenamente. Escolher bem as causas e caminhos é o que define a riqueza dessa experiência.


A Jornada do Trem da Existência
– Ressignificação da existência

Luto, Memória e Subjetividade em Movimento

A Vida Como Uma Viagem de Trem

A vida, usando a linguagem figurada, pode ser comparada a uma viagem de trem, onde a “locomotiva/eu” conduz os “vagões/experiências” por diferentes “estações/transformações”. Esta metáfora do trem sugere uma jornada com começos, paradas, interações e finais. Assim como os passageiros que sobem e descem, os eventos e emoções da vida vêm e vão. No entanto, o movimento constante dessa locomotiva rumo ao futuro é impulsionado pelas forças internas de cada indivíduo, a sua subjetividade.

A Dualidade do Prazer e Desprazer nas Estações da Vida

Seguindo uma perspectiva “sexualmente freudiana/lacaniana”, cada “estação” que visitamos na nossa jornada é repleta de emoções, desejos e memórias. Fernando Pessoa já nos alertou sobre a realidade: “Sempre é mais ou menos. Do que nós queremos”. Aqui, a dualidade do prazer e desprazer, central na teoria psicanalítica, ecoa em cada parada, lembrando-nos de que nem todas as experiências serão agradáveis, mas todas moldarão quem somos.

A Energia Vital da Libido em Movimento

A “locomotiva” da nossa subjetividade é alimentada pela energia sexual, a libido, que Freud descreveu como uma força vitalizante e revitalizante. Em cada “estação”, temos a oportunidade de descarregar essa energia, seja através das interações, experiências ou reflexões. Este fluxo contínuo de energia é o que nos mantém em movimento, mesmo quando enfrentamos olhares recalcados e momentos desenergizados.

A Estação do Luto e a Reconstrução do Eu

O luto é uma parada inevitável nesta jornada. É um espaço de reflexão, dor, mas também de reconstrução. Aqui, a psicanálise pode fornecer ferramentas valiosas para compreender e ressignificar a perda. Fernando Pessoa nos lembra da nobreza em viver e enfrentar a dor. Nesta estação, somos convidados a examinar nosso interior, aceitar a ausência e encontrar maneiras de continuar com essa “ausência-presente” em nosso vagão.

A Presença da Ausência: Energizar, Renergizar, Sinergizar

Para aqueles que permanecem após a partida de um ente querido, o desafio é como energizar uma ausência que continua presente. É um dilema existencial profundo: como continuar vivendo quando sentimos uma falta tão profunda? A psicanálise, neste contexto, pode iluminar caminhos para integrar essa “ausência-presente”, permitindo uma continuação da jornada com propósito e significado.

A viagem da vida, repleta de paradas, encontros e despedidas, é uma jornada complexa que exige introspecção, aceitação e ressignificação. O trem da existência nos oferece uma perspectiva única sobre a natureza transitória da vida e a importância de abraçar cada momento, seja ele de alegria, tristeza ou reflexão. Em última análise, é a nossa capacidade de compreender e integrar essas experiências que determina a riqueza e profundidade de nossa jornada.

A Psicanálise e o Luto – Ressignificação da Existência

Da Contribuição Freudiana à Perspectiva Lacaniana

Freud e a Ruptura dos Paradigmas da Sexualidade

Freud, com sua inovação na compreensão da sexualidade, mudou a forma como vemos a subjetividade humana. Ao expandir o conceito de sexualidade para além da simples genitalidade, ele introduziu a ideia de que a sexualidade está intrinsecamente ligada a todos os comportamentos humanos, sendo esta pulsional e impulsionada pela libido. Esta força motriz está por trás de todos os aspectos psíquicos e sociais do ser humano.

A Libido como Força Central

Para Freud, a origem de todo comportamento humano está na sexualidade, especificamente na libido – a energia sexual. Esta pulsão vai além da simples função reprodutora, dando sentido e direção à subjetividade humana. Em meio ao sofrimento, como no caso do luto, a libido continua a ser uma questão central: onde e como essa energia é investida quando se perde um objeto amado?

O Luto na Perspectiva Freudiana

Freud vê o luto como um processo de desinvestimento libidinal do objeto amado. A perda exige que o ego, ao reconhecer a ausência, retire sua energia da representação desse objeto. Esta é uma forma de proteger o ego e permitir que a vida continue, mesmo diante da perda. A tarefa é dolorosa e lenta, mas ao final, o ego emerge mais forte e livre para investir sua energia em novas áreas.

Lacan e o Vínculo Simbólico e Imaginário

Lacan, seguindo Freud, oferece uma interpretação alternativa sobre o luto. Em vez de apenas desligar-se do objeto perdido, Lacan sugere que o luto implica na manutenção e sustentação desses vínculos, mesmo na ausência do objeto. Para Lacan, o processo de luto envolve tanto o desligamento quanto o reconhecimento simbólico e imaginário do objeto perdido.

A Continuidade da Vida Após a Perda

Tanto na teoria freudiana quanto na lacaniana, o luto é reconhecido como um processo doloroso, mas necessário. Embora as abordagens variem, ambas ressaltam a necessidade de continuidade, intensidade e expansão da vida após a perda. O luto, em sua essência, ensina que, mesmo diante do sofrimento, a vida deve continuar com toda sua intensidade e amplitude.

As teorias de Freud e Lacan sobre o luto oferecem insights valiosos sobre o sofrimento humano. Enquanto Freud enfoca o processo de desinvestimento e proteção do ego, Lacan realça a importância dos vínculos simbólicos e imaginários com o objeto perdido. Em ambas as teorias, no entanto, ressoa a ideia de que a vida, apesar do sofrimento e da perda, deve continuar a ser vivida plenamente.

O Luto e a Busca pelo Autoconhecimento

O Caminho Lacaniano e a Descoberta da Esperança

Baseado na visão freudiana, Lacan nos proporciona uma jornada de introspecção. Ele acredita que na jornada reside o verdadeiro entendimento. Assim, em meio aos atalhos da vida, encontramos oásis de esperança e de amor, onde a existência do “eu” não se perde, mas continua a florescer, iluminando as paixões (Id), a razão (Ego) e a moral (Superego).

O Paraíso da Subjetividade e o “Self” em Jung

Para Jung, o paraíso não se restringe ao dualismo do bem e do mal, mas ao compromisso da subjetividade de expandir o espaço/tempo do “self”. Superar os complexos inconscientes e distinguir as forças do ego e do “self” é essencial para definir a individualidade.

A Libido e a Formação da Personalidade

A trajetória da libido, entrelaçada entre as pulsões de vida e de morte, exerce um papel vital na formação da personalidade. Esta força determina o “modus vivendi” do indivíduo, especialmente quando confrontado com a dicotomia vida/morte. Em meio ao luto, somos desafiados a reavaliar nossas convicções e redescobrir a vontade de viver.

Autoconhecimento e a Aceitação do Sofrimento

Conhecer a si mesmo e estabelecer uma personalidade sólida são fundamentais para entender que o sofrimento é intrínseco à condição humana. O luto, enquanto memória do abandono, atua como um lembrete da efemeridade da existência, incentivando a introspecção e a aceitação do ciclo da vida.

O Amor como Força Unificadora e a Coragem do “Ego/Self”

No âmago do ser humano, o amor busca superar a dualidade, como propõe Terêncio (2011). Esse desejo de unificação aproxima o homem de sua verdadeira essência. A coragem do “ego/self” de enfrentar a inquietude e a autodescoberta é o que possibilita a conexão com o outro, permitindo que a vida seja vivida de forma plena e significativa.

CONCLUSÃO – Ressignificação da Existência

A compreensão do luto através das lentes da psicanálise, tanto no pensamento de Lacan quanto de Jung, oferece um caminho rico para a introspecção e o autoconhecimento. Aceitar o sofrimento como parte integrante da existência humana, aliado ao reconhecimento da força do amor e da busca pelo “self”, pode proporcionar uma vida mais plena e significativa. É através da coragem de se descobrir que se torna possível verdadeiramente experienciar e valorizar a vida em toda a sua magnitude.

João Barros

FLORIPA, 17.08.23

REFERÊNCIAS BÁSICAS

  1. “Luto e Melancolia” (1917) – Sigmund Freud
    • Resenha: Neste ensaio clássico, Freud explora a distinção entre luto e melancolia. Ambos os estados resultam da perda de um objeto amado, mas a melancolia tem características peculiares. Freud propõe que no luto, há um desinvestimento do objeto perdido, permitindo que a energia seja deslocada para outro objeto. Em contraste, a melancolia resulta em uma identificação com o objeto, levando a uma autocriticismo severo.
  2. “O Seminário, Livro 7: A Ética da Psicanálise” (1959-1960) – Jacques Lacan
    • Resenha: Neste trabalho, Lacan explora a dimensão ética da psicanálise. Entre os temas abordados, destaca-se sua reflexão sobre o luto e a relação do sujeito com o Outro. Lacan introduz a noção de “objeto a”, o objeto de desejo que nunca é completamente alcançado, e discute como a perda é experimentada no contexto psicanalítico.
  3. “A perda da realidade na neurose e na psicose” – Sigmund Freud
    • Resenha: Freud examina a diferença fundamental entre neurose e psicose baseada em como o ego lida com a realidade. Através deste olhar, a perda, seja de um objeto ou da própria realidade, é vista sob uma lente psicanalítica que proporciona uma compreensão aprofundada dos mecanismos de defesa e da elaboração do luto.
  4. “O luto e sua relação com os estados maníaco-depressivos” – Melanie Klein
    • Resenha: Klein, influenciada por Freud mas com sua própria visão teórica, investiga os processos do luto em crianças e sua relação com os estados maníaco-depressivos. Através de sua abordagem, Klein acentua a importância do mundo interno e dos objetos internos na elaboração do luto.
  5. “Luto: A dor do luto e o trabalho do luto” – Joyce Catlett e Robert W. Firestone
    • Resenha: Este livro fornece uma visão contemporânea sobre o luto, explorando a complexidade das reações humanas à perda. Os autores discutem como as pessoas podem enfrentar e eventualmente superar o luto, ressaltando a importância de enfrentar a dor ao invés de evitá-la.

O que é a vida?

A vida é um constante balanço entre momentos de alegria e tristeza, entre encontros e desencontros. Ambos são essenciais para nossa evolução e autodescoberta. Eles servem como lembretes da impermanência da existência e da necessidade constante de adaptação e resiliência.

O que move o ser humano?

O ser humano é movido não apenas pelo que deseja, mas também pelo que lhe falta. Esse “desejo-desequilibrante/cadente” muitas vezes nos leva a agir de maneira irracional ou contra nossos princípios morais. A psicanálise nos ajuda a entender esses impulsos e a maneira como eles influenciam nosso comportamento. Transformar o desconhecido em algo nomeado e compreendido é uma forma de lidar com as incertezas e ansiedades da vida.

O que é o luto?

O luto é uma jornada de reconhecimento e aceitação da perda. É um processo doloroso, mas também é uma oportunidade para ressignificar a vida. Aquilo que perdemos – seja um ente querido ou uma parte de nós – nunca retorna da mesma forma. No entanto, é na memória e na transformação do sofrimento que encontramos novos significados para seguir adiante

João Barros - empresário/escritor - professor com formação em filosofia/pedagogia, teologia/psicanálise (...) atualmente, diretor pedagógico na empresa SELO BE IBRATH - com foco na supervisão e qualificação dos produtos pedagógicos e cursos livres em saúde, qualidade de vida e bem-estar. Quanto às crenças e valores, vale a máxima: o caráter do profissional em saúde - isto é - dos psicanalistas/terapeutas - determina sua missão. "Mens sana in corpore sano".

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